CENTENÁRIO DE UM NASCIMENTO (1921-2021)
Dom Edson de Castro Homem
Bispo referencial da Legião de Maria junto à CNBB

A geração de Legionários que temos a graça de participar do centenário do nascimento da Legião de Maria recebemos como privilégio, dom e missão a celebração deste acontecimento.

Para o PRIVILÉGIO, aplicamos a nós, legionários de hoje aos de ontem, o que Jesus disse de seus discípulos: Felizes os olhos que veem o que vós vedes, mas não viram, ouvir o que ouvis, mas não ouviram (Lc 10,23-24). Frank Duff e os primeiros nos veem em Deus, desde a eternidade. Todos aqueles que nos precederam também. Por ser a vida terrena tão breve, é possível que alguns que conheceram o Fundador ainda viva. Mais fácil é que algum legionário, na Irlanda, conheça outro legionário que teve contato com Frank e conheça algumas de suas narrativas originárias. Em 100 anos, nada de importante foi esquecido.

 

Para o DOM, nosso sentimento é de imensa gratidão. Alegre reconhecimento a Maria, nossa Mãe e Rainha. Frank Duff atribuiu-lhe e não a si o que chamou, não com o nome pomposo de fundação, mas de organização nascente. Vale reescrever o Manual que narra o início, em 1921: “Circunstâncias, aparentemente casuais, determinaram o dia 7 de setembro, que parecia menos indicado que o seguinte. Só alguns anos depois -quando provas, sem número, de um verdadeiro amor maternal, levaram à reflexão- é que se compreendeu que, no ato do nascimento da Legião, esta recebera, das mãos da sua Rainha, uma enternecedora carícia. “Da tarde e da manhã fez-se o primeiro dia” (Gn 1,5); e, com certeza os primeiros e não os últimos perfumes da Festa da sua Natividade foram os mais apropriados aos momentos iniciais de uma Organização, cujo principal e constante objetivo consistiu em reproduzir, em si própria, a imagem de Maria, de maneira a glorificar melhor o Senhor e a comunicá-lo aos homens. Dom é gratuito e não merecido. Recebemos, pois, como presente precioso a Legião de Maria, no Brasil, ainda com o Fundador vivo. A Legião chegou até as áreas mais distantes do território nacional, inserida como fruto deste Centenário de expansão e de recomeços.

 

Para a MISSÃO, nossa decisão é a de renovada inserção no apostolado legionário. Frank Duff compreendeu sua missão laical na Igreja e no mundo como leigo comprometido no Corpo Místico de Cristo. Idealizou e projetou em união com o Espírito Santo uma obra na qual o apostolado laical fosse planejado, organizado e atuado com a analogia de um exército mariano, mais do que romano do qual se serviu apenas da nomenclatura. Tornou-se uma realidade que há 100 anos nos surpreende pelos frutos da graça obtidos. Ah! Os frutos... Quem poderá reconhece-los e colhê-los? Conversões. Testemunhos de vida doada e santa. Incompreensões. Perseverança. Martírio. Dedicação ao carisma. Fidelidade a Cristo, a Maria, a Igreja Católica, enquanto Corpo Místico e instituição visível.

 

Os desafios da missão de um mundo em mudança instigam a Legião de Maria. A realidade da mudança se tornou uma diferenciação muito forte dos tempos atuais com suas rupturas. Por isso, se diz que não é época de mudança, mas mudança de época. Por estarmos dentro deste processo avassalador e desafiador, não temos ainda o sentido pleno de percepção e do agir. Escapa-nos para onde vamos. Confiantes na Providência Divina e na Mãe da Providência, no panorama de desafios e de urgências, a Legião de Maria há de seguir em meio aos ventos da história e às ondas revoltas dos tempos. Sente-se, como de fato é, JOVIAL, até adolescente, ao celebrar apenas 100 anos de vida, tendo muito que aprender para ensinar. Congratulemo-nos!