Epifania do Senhor
Padre Marcos Albuquerque Gomes
Paróquia Santa Cruz - Bairro Vera Cruz (Belo Horizonte - MG)

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“Eis que veio o Senhor dos senhores; em suas mãos, o poder e a realeza” (Malaquias 3,1; 1 Crônicas 19,12).

Queridos irmãos e irmãs,

 

Este final de semana, celebramos a Festa da Epifania do Senhor. Epifania quer dizer manifestação. O Senhor manifestou a sua glória. Ele cumpriu a sua promessa feita a nossos pais Abraão, Isaac, Jacó e os profetas. Veio como luz para iluminar aqueles que estavam nas trevas. Pelo batismo, ele nos faz participar da sua glória.

 

A Primeira Leitura, tirada do livro do profeta Isaías, descreve de forma poética a visita de Deus à humanidade: “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz, e os reis, ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê, todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor” (Isaías 60,1-6).

 

Também no salmo responsorial rezaremos o seguinte refrão: “As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor”.

 

São Paulo, na Segunda Leitura, se dirigindo à comunidade de Éfeso, nos fala da revelação deste mistério que não foi revelado às gerações passadas, mas que agora, por graça, é revelado a nós. “Irmãos, se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu [...] e como, por revelação, tive conhecimento deste mistério. Esse mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito Santo, aos seus santos apóstolos e profetas” (Efésios 3,2-5).

 

No Evangelho, lemos o relato da visita dos reis magos ao Menino Jesus. Eles levaram ouro, incenso e mirra. Ouro para reconhecer a realeza de Jesus. Ele é o “Príncipe da paz” (Isaías 9,6). Incenso para reconhecer a divindade de Jesus; Ele é a ‘imagem do Deus invisível” (Colossenses 1,15). E mirra para significar a espécie de morte que Ele teria (Mirra é o perfume que se coloca na pessoa quando ela morre, para ajudar na preservação do corpo). O texto diz que eles “se ajoelharam diante dele e o adoraram” (Mateus 2,11).

 

Meditando este texto do Evangelho, São Leão Magno, Papa (século V) nos diz o seguinte: “Que todos os povos, representados pelos três Magos, adorem o Criador do universo; e Deus não seja conhecido apenas na Judéia mas no mundo inteiro, a fim de que por toda a parte ‘o seu nome seja grande em Israel’ (Salmo 75,2). Portanto, amados filhos, instruídos nos mistérios da graça divina, celebremos com alegria espiritual o dia das nossas primícias e do primeiro chamado dos povos pagãos à fé, dando graças a Deus misericordioso que, conforme diz o Apóstolo, ‘nos tornou capazes de participar da luz que é a herança dos santos; ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu amado Filho (Colossenses 1,12-13). Pois, como anunciou Isaías; ‘o povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu’ (Isaías 9,1). E ainda referindo-se a eles, o mesmo profeta diz ao Senhor: ‘Nações que não vos conheciam vos invocarão e povos que vos ignoravam acorrerão a vós’ (cf. Isaías 55,5) (LH I, pág. 507).

 

No prefácio da Liturgia Eucarística de hoje rezamos: “Revelastes, hoje, o mistério do vosso Filho como luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação. Quando Cristo se manifestou em nossa carne mortal, vós nos recriastes na luz eterna de sua divindade”. Agradeçamos este grande presente que o Senhor nos deu: nos chamar a participar da sua glória.

 


Canto:

 

Sim, eu quero que a luz de Deus que um dia em mim brilhou / jamais se esconda e não se apague em mim o seu fulgor. / Sim, eu quero que o meu amor ajude o meu irmão / a caminhar guiado por tua mão / em tua lei, em tua luz, Senhor.

Em minh’alma cheia do amor de Deus / palpitando a mesma vida divinal / Há um resplendor secreto do infinito Ser / Há um profundo germinar de eternidade.

Essa vida nova, comunhão com Deus / No batismo, aquele dia eu recebi / Vai aumentando sempre e vai me transformando / Até que Cristo seja todo o meu viver.


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!