Santa Maria Mãe de Deus
Padre Marcos Albuquerque Gomes
Paróquia Santa Cruz - Bairro Vera Cruz (Belo Horizonte - MG)

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“Salve, ó Santa Mãe de Deus, vós destes à luz o Rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos”. (Sedúlio)


Queridos irmãos e irmãs,

Começamos o ano de 2021 com a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus. A maternidade divina de Maria é um dogma de fé definido pela Igreja no século V, no ano de 431, no Concílio de Éfeso. Maria foi reconhecida como Mãe de Deus (Theotókos).

 

Talvez, possa parecer estranho. Como Deus pode ter mãe? Ele não existe desde todos os séculos? Ele não é o criador de todas coisas? Ele não criou o ser humano e, portanto, Maria? A resposta é simples. Para nos salvar, Deus escolheu nascer da Virgem Maria. Ele assume a nossa humanidade (carne) sem deixar de ser Deus. É o que chamamos de “mistério da encarnação”. Jesus é plenamente homem sem deixar de ser Deus, e é plenamente Deus mesmo se tornando humano. Por isso chamamos de mistério. Nossa inteligência limitada tem dificuldades de compreender isso. Assim, somos convidados a contemplar este mistério de amor.

O Concílio de Éfeso explica assim: “Por isso, os Santos Padres não duvidaram chamar a Santa Virgem de Mãe de Deus (Deípara em latim) e (Theotókos em grego); não no sentido de que a natureza do Verbo ou sua divindade tenham tido origem da Santa Virgem, mas no sentido de que, por ter recebido dela o santo corpo dotado de alma racional ao qual também estava unido segundo a ‘hipóstase’ (pessoa), o Verbo se diz nascido segundo a carne”. 

 

Santo Atanásio, bispo e doutor da Igreja, que viveu no século IV na cidade de Alexandria, no norte da África, fala deste mistério da seguinte forma: “[...]. Eis porque Maria está verdadeiramente presente neste mistério; foi dela que o Verbo assumiu, como próprio, aquele corpo que havia de oferecer por nós. [...]. Assim foi que o verbo, recebendo nossa natureza humana e oferecendo-a em sacrifício, assumiu-a em sua totalidade, para nos revestir depois da sua natureza divina, [...]. A natureza que ele recebeu de Maria era uma natureza humana, segundo as divinas Escrituras, e o corpo do Senhor era um corpo verdadeiro. Digo verdadeiro, porque era um corpo idêntico ao nosso, Maria é, portanto, nossa irmã, pois todos somos descendentes de Adão”. [...] Contudo, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio de Maria, a Trindade continua sendo a mesma Trindade, sem aumento nem diminuição. É sempre perfeita, e na Trindade reconhecemos uma só Divindade; assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo” (Das Cartas de Santo Atanásio, Bispo e Doutor da Igreja, LH I, pág. 435).

Assim, podemos concluir que é perfeitamente possível chamar Maria de Mãe de Deus. Jesus é Deus e homem; uma pessoa em duas naturezas distintas. Como Maria é mãe da pessoa de Jesus e Jesus é Deus, ela se torna mãe de Deus. Agradeçamos ao Senhor, nesta Eucaristia, por ter escolhido Maria como sua Mãe e nossa Mãe, pois pelo seu sim veio até nós o Salvador.

Terminemos nossa reflexão com a oração do dia desta Missa:
Ó Deus, que pela virgindade fecunda de Maria destes à humanidade a salvação eterna, dai-nos contar sempre com a sua intercessão, pois ela nos trouxe o autor da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Cante este refrão:
Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida/ Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!
Virgem santa, Virgem bela, Mãe amável, Mãe querida/ Amparai-nos, socorrei-nos, ó Senhora Aparecida!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!